A safra brasileira de grãos 2025/2026 caminha para um novo recorde de área cultivada, mas enfrenta desafios climáticos que podem impactar a produtividade em diferentes regiões do país. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve plantar 84,1 milhões de hectares no próximo ciclo agrícola, um crescimento de 3,3% em relação à safra anterior. A produção estimada é de 354,4 milhões de toneladas, avanço mais moderado, de 0,6%.
A soja segue como principal cultura responsável pela expansão da área plantada no país, consolidando seu protagonismo no agronegócio nacional. No entanto, o início irregular do período de plantio, marcado por chuvas mal distribuídas e temperaturas elevadas, tem gerado preocupação entre os produtores, especialmente no Cerrado.
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, a área cultivada deve crescer 2,3%, mas a produção total pode registrar queda de 3,8%. Segundo Manoel Álvares, gerente de inteligência da ORÍGEO — joint venture entre Bunge e UPL especializada em soluções sustentáveis e gestão integrada para o Cerrado —, a redução está diretamente ligada às condições climáticas adversas no início do plantio. “As chuvas irregulares e o calor excessivo levaram a replantios e a um estabelecimento menos uniforme da soja. No milho, o crescimento ocorre principalmente em áreas irrigadas”, explica.
Em Rondônia, a área cultivada deve aumentar 1,3%, com desempenho mais otimista da soja, favorecida por boas precipitações. Já no Pará, o avanço é mais expressivo: a área agrícola deve crescer 10,6%, alcançando 2,24 milhões de hectares, com produção estimada em 7,33 milhões de toneladas. A soja lidera esse movimento, especialmente nas regiões da BR-163 e nos municípios de Redenção e Santana do Araguaia. O milho apresenta perspectivas regulares para a primeira safra.
A expansão também marca presença no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No Maranhão, a área agrícola deve crescer 4,4%, com aumento de 0,6% na produção, impulsionada pelo milho da primeira safra. O Piauí projeta crescimento de 3,4% na área e 8,5% na produção, com avanço acelerado da soja após chuvas registradas no início de novembro. No Tocantins, a área deve aumentar 6,1% e a produção 3,7%, com expansão do milho em substituição ao arroz. A Bahia também apresenta cenário positivo, com crescimento de 4,6% na área plantada e 4,4% na produção, impulsionado tanto pela soja irrigada quanto pelo cultivo de sequeiro.
“Mesmo com diferenças entre os estados, a soja continua como protagonista da safra 2025/2026. A Conab projeta um volume recorde, e boa parte desse crescimento vem da recuperação de áreas antes degradadas ou ocupadas por culturas que perderam espaço. No entanto, o início irregular da temporada pode influenciar a produtividade final”, destaca Álvares.
Segundo o especialista, o momento exige atenção redobrada dos produtores. “Os números mostram que a expansão segue firme, mas o clima permanece como o principal fator de incerteza. No Mato Grosso e em Rondônia, o início irregular do plantio já trouxe impactos relevantes. No MATOPIBA e no Pará, as lavouras também sentiram os efeitos do fenômeno La Niña, que ainda pode comprometer o estabelecimento das culturas. Será uma safra em que cada decisão no campo fará diferença no resultado final”, conclui.
Sobre a ORÍGEO
Fundada em 2022, a ORÍGEO é uma joint venture entre Bunge e UPL, focada em oferecer soluções sustentáveis e técnicas de gestão antes e depois da porteira. A empresa atua junto a grandes produtores da Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia e Tocantins, com equipes técnicas especializadas e foco no aumento da produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo. Mais informações estão disponíveis em origeo.com.
FONTE/CRÉDITOS: Agencia da Noticia
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