As recentes deliberações estaduais sobre o licenciamento ambiental e o avanço de multinacionais da mineração sobre o subsolo agrícola de Mato Grosso pautaram a reunião promovida pelo Sindicato Rural de Querência (MT) nesta quarta-feira (9). Apresentado pelo presidente da entidade, Adalberto Backes, o balanço alertou os agricultores sobre o risco de perdas financeiras em disputas fundiárias e detalhou a criação de um grupo de trabalho para destravar o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Adalberto Backes - Presidente do Sindicato Rural de Querência/MTDurante o evento, Backes expôs os resultados das negociações do agronegócio junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). Em reunião com a secretária Mauren Lazzaretti, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) garantiu a instauração de uma comissão permanente dedicada a dar celeridade aos processos complexos do CAR. O foco da força-tarefa será a regularização de propriedades que abrigam áreas úmidas, drenos e campos de murunduns, formações de microrrelevo características do Cerrado que habitualmente paralisam as análises técnicas. O avanço institucional coincide com a reeleição unânime de Vilmondes Tomain para a presidência da Famato (2027-2030), cuja nova diretoria integrou Lino Costa, representante do sindicato de Canarana.
O ponto de maior tensão abordado na pauta referiu-se à corrida de mineradoras canadenses, americanas e norueguesas pela exploração de ouro, fósforo e potássio nas fazendas mato-grossenses. Com base em análises jurídicas, a direção do sindicato advertiu que o subsolo pertence constitucionalmente à União e desencorajou o bloqueio de acesso aos pesquisadores estrangeiros. A resistência territorial tem gerado judicializações rápidas com derrotas iminentes para os proprietários da superfície, que perdem o direito legal de exigir royalties sobre a futura extração mineral. A diretriz técnica repassada à categoria é priorizar a formulação de acordos comerciais desde as etapas iniciais de prospecção.
O alinhamento do setor produtivo às eleições para o Governo de Mato Grosso em 2026 também foi alvo de análise após uma rodada de sabatinas na sede da Famato. Em manifestação estritamente pessoal, Backes classificou como realista o plano do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Em contraposição, o dirigente criticou as propostas dos demais candidatos, rotulando-as como promessas infundadas. O evento foi encerrado com uma orientação para que a classe rural filtre com rigor técnico os discursos políticos nas próximas semanas
FONTE/CRÉDITOS: Agencia da Noticia
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