O Banco do Brasil (BBAS3), maior financiador do agronegócio brasileiro, avalia estender os prazos de empréstimos rurais como medida de alívio para produtores afetados pelo conflito no Oriente Médio. A iniciativa permitiria o adiamento de pagamentos para o fim dos contratos vigentes, sem suspensão integral das obrigações. O banco, porém, afirmou publicamente que não há "estudo nem demanda formal" ligada ao conflito.
O movimento ocorre em um contexto já crítico. A inadimplência acima de 90 dias encerrou 2025 em 5,17%, ante 3,16% um ano antes, com a carteira rural atingindo 6,09%. Para reforçar o capital, o banco já pediu ao Ministério da Fazenda o adiamento de R$ 1,8 bilhão em pagamentos ao Tesouro, devidos em 2026 e 2027, para 2029. Qualquer nova rodada de alívio ao campo pode pressionar ainda mais o balanço e reacender discussões sobre venda de ativos ou aumento de capital.
O gatilho imediato é o bloqueio do Estreito de Ormuz. Executivos monitoram as próximas 12 semanas como janela-chave para avaliar se o conflito irá afetar de forma significativa as rotas globais de comércio e, por consequência, os custos de produção e exportação de commodities agrícolas, setor que responde por uma carteira rural de R$ 405 bilhões no banco.
O Banco Central reforça o diagnóstico: produtores rurais enfrentam em 2026 um choque duplo, custos de produção em alta puxados pela energia e crédito restritivo com Selic a 14,75% ao ano. O repasse desses custos ao consumidor em forma de inflação tende a ser heterogêneo e dependerá da duração e intensidade do conflito no Oriente Médio.
O cenário coloca o BBAS3 em uma posição delicada. Absorver mais um choque no campo significaria aceitar nova pressão sobre provisões e índices de capital, exatamente quando o banco tenta demonstrar ao mercado que o pior da inadimplência rural ficou para trás.
FONTE/CRÉDITOS: Agencia da Noticia
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