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Kanela do Araguaia rebatem acusação de “invasão” e afirmam: “Estamos retomando território já reconhecido”

O povo Kanela também negou acusações de vigilância, ameaça ou uso de violência, classificando as alegações como infundadas

Kanela do Araguaia rebatem acusação de “invasão” e afirmam: “Estamos retomando território já reconhecido”
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O povo indígena Kanela do Araguaia divulgou nota pública para contestar matérias de sites regionais que classificaram como “invasão” a ocupação de uma propriedade rural no município de Luciara (MT). No documento, a comunidade afirma que a ação se trata de uma retomada legítima dentro de área oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro e repudia o que considera abordagem preconceituosa e distorcida dos fatos.
Segundo a manifestação, expressões como “indivíduos que se dizem indígenas” demonstram desconhecimento e reforçam discurso discriminatório contra os povos originários. A comunidade ressalta que o povo Kanela do Araguaia possui organização própria, liderança legítima e identidade étnica consolidada.

De acordo com a nota, a área em questão integra a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, constituída pela Portaria nº 1.378, de 17 de novembro de 2025, destinada ao usufruto exclusivo da comunidade e localizada nos municípios de Luciara e São Félix do Araguaia, em Mato Grosso. Entre as áreas que compõem a reserva estão Tapirapé I, II, III, IV e V, além da região de São Pedro. As comunidades em retomada, segundo o texto, estariam dentro desses limites.

O povo Kanela também negou acusações de vigilância, ameaça ou uso de violência, classificando as alegações como infundadas e parte de narrativas que, segundo a comunidade, historicamente criminalizam movimentos de retomada territorial indígena.
A nota afirma ainda que autoridades foram comunicadas por meio de ofício encaminhado à Polícia Civil e à Polícia Militar, informando que as áreas pertencem à reserva e que eventual retirada dos indígenas seria medida irregular, por se tratar de território oficialmente reconhecido.

A comunidade também apontou que o boletim de ocorrência citado nas reportagens pode ter sido elaborado de forma tendenciosa, possivelmente influenciado por pessoas que estariam utilizando áreas públicas de maneira irregular dentro do território indígena. O documento defende apuração criteriosa dos fatos para evitar, segundo o texto, a criminalização indevida do povo Kanela do Araguaia.
Na manifestação, os indígenas também alertam para o avanço de ocupações irregulares, com formação de pastagens em vegetação nativa, retirada ilegal de madeira, caça, pesca predatória e queimadas, que estariam causando danos ambientais à região.

Ao final, o povo Kanela do Araguaia reafirma que não se trata de invasão, mas de retorno a território reconhecido, destacando o valor espiritual, cultural e ancestral da terra. A comunidade cobra responsabilidade na divulgação de informações para evitar conflitos, preconceito e desinformação.

FONTE/CRÉDITOS: Agencia da Noticia
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