O Brasil caminha para colher uma supersafra histórica em 2026, mas enfrenta um velho problema que se agrava a cada ano: a falta de capacidade de armazenagem de grãos.
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o país deve registrar um déficit de armazenagem de 135 milhões de toneladas neste ano. Diante de uma produção estimada em 353 milhões de toneladas, a estrutura atual consegue estocar apenas 61% do total — o menor nível de cobertura das últimas duas décadas.
O cenário evidencia um descompasso entre o avanço tecnológico no campo e os investimentos em infraestrutura. Enquanto a produtividade agrícola triplicou nos últimos anos, a construção de novos silos não acompanhou o mesmo ritmo.
O principal entrave, segundo especialistas, é o alto custo de implantação. A construção de unidades de armazenagem pode variar entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões, valor que se torna ainda mais difícil de viabilizar diante de taxas de juros próximas de 15% ao ano.
Sem capacidade para armazenar a produção, muitos produtores acabam sendo forçados a vender os grãos imediatamente após a colheita. Essa dinâmica reduz o poder de negociação no mercado e pressiona os preços para baixo, beneficiando grandes tradings.
Além disso, a urgência na comercialização eleva os custos logísticos, com fretes mais caros e maior pressão sobre a cadeia de escoamento da safra.
A chamada “crise dos silos” reforça a necessidade de políticas públicas e linhas de crédito mais acessíveis para ampliar a infraestrutura de armazenagem no país, considerada estratégica para garantir competitividade ao agronegócio brasileiro.
FONTE/CRÉDITOS: Agencia da noticia
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