Alternativa FM

663529-2140

Policial

CNJ: Zampieri mandou fotos de barras de ouro para desembargador afastado do TJ

Troca de mensagens consta em decisão que determinou o afastamento de Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho do TJMT

CNJ: Zampieri mandou fotos de barras de ouro para desembargador afastado do TJ
Advogado mandou foto de barras de ouro para desembargador, segundo CNJ
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que determinou o afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho traz trocas de mensagens que reforçam a suspeita de um esquema de venda de sentenças no órgão máximo do Judiciário estadual. Os trechos da conversa foram publicados pelo site MidiaNews, nesta segunda-feira (18).

Em uma conversa do dia 15 de outubro do ano passado, o advogado Roberto Zampieri mandou por WhatsApp a foto de duas barras de ouro para o desembargador Sebastião. A decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, aponta que esse diálogo reforça “as suspeitas de que o falecido advogado, de fato, oferecia vantagens indevidas ao magistrado”.

O documento aponta que Sebastião estava em viagem internacional, mas enviou mensagens à Zampieri para lembrá-lo de quando estaria de volta e enfatizando mais de uma vez: “não esqueça”. Conforme o documento, o contexto da troca de mensagens dá a entender que a conversa seria para tratar dos interesses do desembargador e não do advogado.

As conversas mostram que no dia 21 de novembro o desembargador enviou mensagem a Zampieri, afirmando que ele o estava colocando em uma situação complicada.

“Estou na espera do memorial para analisar. Estou no gabinete aguardando o senhor. Tá me colocando numa sinuca de bico”, diz o desembargador, conforme o documento do CNJ.

Três dias depois, Sebastião manda ao advogado um figurinha de um homem irritado, aparentando descontentamento com o advogado. Conforme a decisão do CNJ, a conversa dá a entender que o desembargador esperou por Zampieri, que não apareceu. Os dois acabam reagendando o encontro.

No fim da conversa, o advogado mostra duas barras de ouro. O desembargador pergunta se seriam 500 gramas, ao que o advogado diz que era 400.

O documento do CNJ aponta que os elementos colhidos exclusivamente do aparelho celular de Zampieri “sugerem, fortemente, um cenário de gravíssimo comprometimento da imparcialidade, integridade e independência do magistrado frente às investidas do advogado falecido, inclusive, possivelmente, com recebimento de vantagens indevidas por parte do desembargador, em benefício próprio e de seus familiares”.

O advogado Roberto Zampieri foi assassinado no dia 5 de dezembro de 2023, quando saia de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Após o crime, o aparelho telefônico do advogado foi recolhido e as informações contidas nele acabaram chegando ao Conselho Nacional de Justiça, que apura o envolvimento de Zampieri com um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Afastamento de desembargadores

O corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, determinou, no dia 1º de agosto, o afastamento imediato das funções os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho por envolvimento em um suposto esquema de venda de decisões.

Salomão também determinou a instauração de reclamações disciplinares contra os dois magistrados, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e de servidores do TJMT, referente aos últimos cinco anos.

Há indícios de que os magistrados mantinham amizade íntima com o falecido advogado Roberto Zampieri – o que os tornaria suspeitos para decidir processos patrocinados pelo referido jurista – e recebiam vantagens financeiras indevidas e presentes de elevado valor para julgarem recursos de acordo com os interesses de Zampieri.

A Corregedoria Nacional aponta ainda que, “em paralelo com a incomum proximidade entre os magistrados e o falecido Roberto Zampieri”, os autos sugerem, “efetivamente, a existência de um esquema organizado de venda de decisões judiciais, seja em processos formalmente patrocinados por Zampieri, seja em processos em que o referido causídico não atuou com instrumento constituído, mas apenas como uma espécie de lobista no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso”.

Morte de Zampieri

O advogado Roberto Zampieri foi assassinado no dia 5 de dezembro de 2023, quando saia de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Em 9 de julho, o delegado Nilson Farias, da DHPP, disse à imprensa que a morte de Roberto Zampieri foi encomendada por causa de uma disputa judicial sobre a posse de uma propriedade rural, na cidade de Paranatinga, estimada em R$ 100 milhões. O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo foi indiciado como mandante do crime.

Conforme o delegado, o irmão de Aníbal perdeu parte das terras em disputa, o que despertou nele o medo de também ser derrotado na Justiça. Aníbal acreditava que por ter proximidade com um desembargador do Tribunal de Justiça, Zampieri teria facilidade para vencer o processo. Por essa razão, ele encomendou o crime.

Aníbal Laurindo deverá responder por homicídio duplamente qualificado com traição, emboscada, dissimulação ou recurso que dificulte a defesa da vítima, além de o crime ter sido cometido mediante pagamento, o que configura motivo torpe. Ele chegou a ser preso em março deste ano, mas no momento está em liberdade.

Em fevereiro deste ano, o Ministério Público de Mato Grosso já havia apresentado denúncia contra Antonio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas por homicídio triplamente qualificado. Estes permanecem presos.

FONTE/CRÉDITOS: Olhar Alerta
Comentários:
Alternativa FM- TV QUERÊNCIA CANAL 12

+ Lidas

Alternativa FM

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Rádio Alternativa FM no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )