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ATUALIZAÇÃO DA SAFRA AMERICANA JUNHO DE 2026

O mais recente relatório de acompanhamento das lavouras divulgado pelo Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA

ATUALIZAÇÃO DA SAFRA AMERICANA JUNHO DE 2026
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O mais recente relatório de acompanhamento das lavouras divulgado pelo Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicado no dia 15 de junho, nos 18 estados maiores produtores aponta que, 94% do milho já emergiu e 68% está em boa ou excelente condição. No caso da soja, 88% já emergiu e 66% está em boa ou excelente condição. Em comparação com a média dos últimos 5 anos (2021-2025) a emergência do milho está 1% adiantada e a da soja, 6% também adiantada.

Esse desempenho reflete as condições climáticas predominantemente favoráveis observadas durante o período de implantação das culturas, permitindo elevada eficiência operacional e estabelecimento uniforme das lavouras. O avanço antecipado do desenvolvimento das culturas representa um fator importante para o potencial produtivo da safra 2026.

A rápida emergência favorece maior interceptação da radiação solar durante o crescimento vegetativo, melhora a uniformidade das plantas e reduz riscos associados ao atraso das fases reprodutivas para períodos climatologicamente mais críticos.

Em geral, as culturas da soja e do milho estão em boas condições até o momento. Os destaques são as altas porcentagens de soja e milho em boa ou excelente condições nos estados de Iowa e Minnesota, onde apenas algumas áreas localizadas sofreram perdas em função de granizo e chuva em excesso. Illinois, Indiana e Missouri também apresentam desenvolvimento satisfatório, embora 

algumas áreas tenham registrado redução localizada na qualidade das lavouras em decorrência de episódios de excesso de precipitação durante o mês de junho. Por outro lado, Nebraska, Kansas e Ohio continuam exigindo maior atenção. Nesses estados observa-se maior variabilidade das condições das lavouras em função da distribuição irregular das chuvas e da ocorrência pontual de estresse hídrico superficial, especialmente em áreas de menor capacidade de retenção de água no solo. Apesar dessas diferenças regionais, o cenário geral permanece positivo, indicando que o potencial produtivo nacional continua elevado neste estágio inicial da safra. O clima do mês de julho vai ser fundamental para garantir um bom rendimento, pois, em breve teremos algumas plantações no início das fases reprodutivas e mais sensíveis do milho (embonecamento/polinização) e da soja (florescimento).

Condições climáticas atuais nos Estados Unidos O mapa de precipitação acumulada durante os últimos 30 dias (26/05 a 23/06) mostra maior ocorrência de chuvas em Kansas, Missouri, sul de Iowa, e norte de Illinois, com volumes de chuva acumulados entre 250 e 300 mm (10-12 polegadas) em algumas áreas localizadas (cor roxa no mapa). Baixos volumes de chuva (áreas em azul claro no mapa) ao redor de 40 mm (1,6 polegadas) foram observados em algumas regiões como o noroeste de Iowa. Outro destaque importante foi a ocorrência de precipitações expressivas na região sul dos Estados Unidos, contribuindo para reduzir significativamente os efeitos da seca observada durante a primavera em estados como Texas, Arkansas, Louisiana, Mississippi, Alabama e Geórgia.

Temperatura favorece desenvolvimento inicial O mapa de desvio da temperatura média durante os últimos 30 dias em relação à média histórica mostra que a temperatura ficou acima da média em toda a região do meio-oeste americano, especialmente na região norte, incluindo os estados da Dakota do Norte e do Sul, Minnesota, Iowa, Michigan e norte de Illinois. Os máximos desvios observados foram de aproximadamente 2C. Até o momento, essas temperaturas mais elevadas têm favorecido o rápido crescimento vegetativo das culturas, acelerando processos fisiológicos como emissão foliar, expansão radicular e acúmulo de biomassa.

O mapa do Indice de Severidade da Seca (ISSE) médio dos últimos 30 dias destaca as áreas com maior estresse hídrico. Os valores do ISSE variam entre 0.0 (sem estresse) e 1.0 (estresse máximo). A região meio-oeste encontra-se com níveis adequados de umidade do solo na maioria dos estados. Em algumas regiões como o noroeste de Iowa e sul de Illinois temos níveis de ISSE um pouco mais altos, ao redor de 0,5-0,6. Embora indiquem redução moderada da umidade disponível, esses níveis ainda estão distantes daqueles normalmente associados a perdas expressivas de rendimento. De forma geral, o balanço hídrico observado até o momento permanece compatível com a manutenção do elevado potencial produtivo tanto para milho quanto para soja.

O que esperar para o mês de junho? O mês de julho representa o período mais crítico para definição do potencial produtivo das lavouras de milho e soja nos Estados Unidos. Grande parte do milho entra nas fases de embonecamento e polinização, consideradas as mais sensíveis ao estresse térmico e hídrico. Na soja, inicia-se o florescimento em parcelas expressivas das áreas semeadas, fase que também exige adequada disponibilidade de água para garantir elevada taxa de fixação de flores e formação de vagens. De acordo com a previsão do clima para o mês de junho postada em 18 de junho pelo Centro de Previsões do Clima (CPC) da NOAA, as chances são praticamente iguais em julho de se observar volume de chuvas abaixo, na média, ou acima da média histórica (equal chances) no meio-oeste. Em uma área restrita no norte de Minnesota e na Dakota do Norte existe um pequeno aumento da probabilidade de precipitação abaixo da média (área em marrom claro no mapa). No caso da temperatura, as chances são praticamente iguais de se observar temperaturas abaixo, na média, ou acima da média histórica (equal chances)

É importante esclarecer que estas previsões (equal chances) não significam que teremos um clima normal, significam que não existe nenhuma tendência para termos chuva ou temperaturas acima ou abaixo da média, ou seja, não há uma tendência clara e praticamente não há uma previsão.

Apesar do cenário amplamente positivo, os próximos 30 dias serão decisivos para a consolidação da produtividade da soja e do milho. Até o momento, entretanto, a combinação entre boa disponibilidade de água no solo, desenvolvimento uniforme das lavouras e ausência de eventos climáticos extremos mantém elevado o potencial produtivo das duas culturas. A fase El Niño chegou! O recente aquecimento das águas no Oceano Pacífico equatorial levou a agência americana NOAA a anunciar no dia 11 de junho a transição da fase neutra para El Niño. A classificação do evento El Niño em termos de intensidade depende da magnitude do desvio de temperatura observada nas águas do Pacífico equatorial. Um desvio de +1.5C caracteriza um El Niño forte e acima de +2.0C um El Niño muito forte (super El Niño). Os modelos de previsão indicam que existe uma probabilidade

de aproximadamente 60% de ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro e dezembro deste ano. Os últimos El Niños classificados como muito fortes ocorreram em 1982/83, 1997/98 e 2015/16. 

É importante lembrar que o ciclo El Niño atinge a sua força máxima nos meses de dezembro e janeiro. Portanto, não influencia a safra americana de forma tão significativa como ocorre no Brasil e em outros países do hemisfério sul, onde coincide com a safra de verão. Todavia, o El Niño tende a favorecer as condições de umidade do solo e diminuir a ocorrência de ondas de calor no meio-oeste americano. Desta forma podemos esperar rendimentos um pouco acima da média de milho e soja no meio-oeste americano. O clima mais favorável ocorre mais frequentemente na região leste da região produtora e nem sempre beneficia os estados na região oeste (Nebraska, Kansas, Dakota do Sul). Produtor, o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e das atualizações do USDA continuará sendo fundamental para avaliar possíveis alterações no potencial produtivo da safra americana e seus reflexos sobre a oferta global de grãos e o comportamento do mercado internacional. Não perca o próximo relatório!

FONTE/CRÉDITOS: Agencia da Noticia
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